Depois de entender o conceito de queda livre, o passo mais importante é a prática. É resolvendo exercícios que você realmente aprende a identificar o tipo de problema, escolher a equação correta e evitar erros comuns.
Neste artigo, você vai encontrar exercícios resolvidos passo a passo, com explicações detalhadas para consolidar o aprendizado e se preparar para o ENEM.
Antes de começar: o que você precisa lembrar
Para resolver exercícios, é essencial saber escolher a fórmula correta em cada situação. As principais equações são:
v = g · t (quando o tempo é conhecido)
h = (g · t2) / 2 (quando queremos calcular a altura usando o tempo)
v2 = 2 · g · h (quando não temos o tempo e usamos a altura)
Na maioria das questões, utilizamos g = 10 m/s2 para facilitar os cálculos.
Para facilitar a memorização, o resumo visual abaixo reúne as principais fórmulas da queda livre e mostra quando utilizar cada uma delas durante a resolução de exercícios.
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| Resumo visual das principais fórmulas da queda livre com explicações das variáveis, ideal para resolver exercícios passo a passo no ENEM. |
Exercício 1 (Nível Fácil)
Durante um experimento de Física, um estudante solta um objeto do alto de uma estrutura para analisar seu movimento. Desprezando a resistência do ar e considerando a aceleração da gravidade igual a 10 m/s2, qual será a velocidade do objeto após 3 segundos de queda?
Passo 1: Identificar os dados
Antes de escolher a fórmula, precisamos organizar os dados do problema:
- O objeto permanece em queda por 3 segundos, então t = 3 s;
- A aceleração da gravidade será considerada como 10 m/s2;
- Como o objeto foi solto (e não lançado), sua velocidade inicial é zero.
Passo 2: Escolher a equação
Perceba que já temos o tempo de queda e queremos encontrar a velocidade. Nesse caso, o mais direto é usar a equação que liga essas duas grandezas:
v = g · t
Passo 3: Substituir
v = 10 · 3
Passo 4: Resultado
v = 30 m/s
Resposta: a velocidade será 30 m/s.
Exercício 2 (Nível Médio)
Uma pedra é solta do alto de um penhasco, iniciando um movimento de queda livre. Um estudante observa a situação e, desprezando os efeitos da resistência do ar, decide analisar o movimento do objeto.
Com o auxílio de um cronômetro, ele verifica que o tempo necessário para a pedra atingir o solo é de 4 segundos. Considerando a aceleração da gravidade igual a 10 m/s2, a altura aproximada do penhasco, em metros, é:
Passo 1: Identificar os dados
A pedra foi solta, ou seja, não foi lançada com velocidade inicial. Portanto, consideramos v0 = 0.
O tempo de queda é de 4 segundos (t = 4 s).
A aceleração da gravidade será considerada como 10 m/s2.
Passo 2: Escolher a equação
Como o problema fornece o tempo de queda e queremos determinar a altura, utilizamos a equação que relaciona essas duas grandezas:
h = (g · t2) / 2
Essa expressão é uma forma simplificada da equação geral do movimento uniformemente acelerado. Como o objeto foi apenas solto, sua velocidade inicial é zero (v0 = 0), o que elimina o primeiro termo da equação:
h = v0·t + (g · t2) / 2
Passo 3: Substituição
h = (g · t2) / 2
Substituindo a aceleração da gravidade (g = 10 m/s2) e o tempo (t = 4 s):
h = (10 · 42) / 2
Primeiro, calculamos o quadrado do tempo:
h = (10 · 16) / 2
Agora, realizamos a multiplicação:
h = 160 / 2
Passo 4: Resultado
h = 80 m
Resposta: a altura é 80 metros.
O esquema a seguir ajuda a entender como a altura varia com o tempo durante a queda livre. Note que, a cada segundo, o objeto percorre distâncias maiores devido ao aumento da velocidade.
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| Diagrama de queda livre que relaciona altura e tempo, destacando como a posição do objeto varia ao longo dos segundos até atingir o solo. |
Exercício 3 (Nível ENEM)
Uma pedra é solta do alto de um penhasco de 45 metros de altura. Durante a queda, sua velocidade aumenta devido à ação da gravidade. Desprezando a resistência do ar e considerando g = 10 m/s2, qual é a velocidade aproximada da pedra no instante em que atinge o solo?
Passo 1: Identificar os dados
A altura do penhasco é de 45 metros (h = 45 m).
A aceleração da gravidade é de 10 m/s2 (g = 10 m/s2).
Como a pedra foi apenas solta, sua velocidade inicial é zero.
Passo 2: Escolher a equação
Observe que o problema não fornece o tempo de queda. Portanto, devemos utilizar uma equação que relacione diretamente a altura e a velocidade.
v2 = 2 · g · h
Passo 3: Substituir os valores
v2 = 2 · 10 · 45
v2 = 900
Passo 4: Determinar a velocidade
v = √900
v = 30 m/s
Resposta: a velocidade da pedra ao atingir o solo é 30 m/s.
Exercício 4 (Interpretação – estilo ENEM)
Em um experimento realizado durante uma aula de Física, um estudante analisa o movimento de um objeto em queda livre, buscando compreender a relação entre velocidade e tempo nesse tipo de movimento. Para simplificar a análise, ele desconsidera a resistência do ar e admite que a aceleração da gravidade é constante.
Ao observar o movimento, ele identifica que, em certo instante, a velocidade do objeto atinge 50 m/s. Considerando que a aceleração da gravidade no local é igual a 10 m/s2, determine o tempo necessário para que o objeto atinja essa velocidade.
Passo 1: Identificar os dados
O problema informa que o objeto atinge a velocidade de 50 m/s, portanto:
v = 50 m/s
A aceleração da gravidade é considerada constante e igual a 10 m/s2:
g = 10 m/s2
Como se trata de uma queda livre e o objeto foi apenas solto, sua velocidade inicial é zero.
Passo 2: Escolher a equação
Como queremos determinar o tempo e conhecemos a velocidade final e a aceleração da gravidade, devemos utilizar a equação que relaciona essas grandezas:
v = g · t
Essa equação é válida para movimentos com aceleração constante, como é o caso da queda livre.
Passo 3: Isolar o tempo
Para encontrar o tempo, precisamos isolar a variável t na equação:
t = v / g
Passo 4: Substituir os valores
Substituindo os valores fornecidos no problema:
t = 50 / 10
Passo 5: Calcular o resultado
t = 5 s
Conclusão
O objeto levou 5 segundos para atingir a velocidade de 50 m/s.
Na queda livre, a velocidade aumenta de forma constante ao longo do tempo. O gráfico abaixo ilustra essa relação, mostrando que a velocidade cresce proporcionalmente ao tempo (v = g·t).
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| Gráfico de velocidade em função do tempo na queda livre, evidenciando a relação linear v = g·t e mostrando que o objeto atinge 50 m/s em 5 segundos. |
O que esses exercícios ensinam
Ao resolver esses exercícios, você percebe que o mais importante não é apenas aplicar fórmulas, mas saber escolher a equação adequada para cada situação.
Em queda livre, cada problema fornece pistas diferentes: às vezes o tempo, outras vezes a altura ou a velocidade. Identificar corretamente essas informações é o que permite selecionar a estratégia mais eficiente.
Questões mais simples exigem aplicação direta das fórmulas, enquanto questões mais avançadas, como as do ENEM, envolvem interpretação do enunciado e tomada de decisão sobre qual caminho seguir.
Com a prática, você passa a reconhecer padrões e resolver problemas com mais rapidez e segurança.
Erros comuns durante a resolução
Um dos erros mais frequentes é não interpretar corretamente os dados do problema, o que leva à escolha da equação errada.
Outro ponto importante é lembrar que, na queda livre, o objeto geralmente é apenas solto. Isso significa que a velocidade inicial é zero — um detalhe simples, mas que faz muita diferença na resolução.
Também é comum cometer erros em cálculos matemáticos, especialmente ao trabalhar com potências e raízes quadradas. Por isso, é fundamental resolver cada etapa com atenção.
Evitar esses erros é essencial para melhorar seu desempenho e ganhar confiança na resolução de questões de Física.
Monte seu plano de estudo
Para dominar a queda livre no ENEM, é importante seguir uma sequência de aprendizado: primeiro entender os conceitos, depois praticar e, por fim, aprofundar em situações mais específicas.
Se precisar reforçar a base teórica e revisar as principais fórmulas, comece por este guia completo:
👉 Guia completo de queda livre
Depois, avance para um dos temas mais cobrados em prova, que envolve análise mais detalhada do movimento:
👉 Queda livre no último segundo
Conclusão
Dominar a Física não é sobre decorar fórmulas, mas sobre entender como e quando aplicá-las. Cada exercício resolvido é um passo para desenvolver esse raciocínio.
Ao praticar com frequência, você começa a reconhecer padrões, evitar erros comuns e ganhar confiança na resolução de problemas.
Por isso, mantenha uma rotina de estudos consistente e não deixe de revisar os conceitos fundamentais.
A prática contínua é o que transforma dificuldade em domínio — e é isso que vai fazer a diferença no ENEM.


